segunda-feira, 8 de abril de 2013

CLIPE DA SEMANA

O clipe da semana é da música BAMBAYUQUE, composta por Zeca Baleiro, na interpretação impecável de Renato Braz.


Renato Braz


 Clique no link e ouça a música:

http://youtu.be/oQaFms-0Fjg 

RAPIDINHAS

Faculdade Dulcina pública?
     Recebi informações de fonte segura que o governo do Distrito Federal está em negociações finais para assumir a Faculdade Dulcina de Moraes em Brasília.
     Pra quem não sabe, a Dulcina foi fundada pela famosa atriz, que lhe deu seu nome e se mudou do Rio para Brasília na intenção de construir um movimento teatral sério e profissional na capital federal.
     Nos últimos anos vem passando por sérias dificuldades financeiras e sobrevive de crise em crise, apesar de nunca haver fechado suas portas e de ter formado a elite do teatro braziliense.
     Sua sobrevivência é realmente um milagre. Segunda minha amiga, Regina Reis, diretora e produtora formada lá, o que mantém a faculdade viva é o espírito de Dulcina de Moraes, cuja presença pode ser sentida nas suas instalações, e permite que esta escola tão importante e sempre tão mal das pernas, continue sendo o centro da produção teatral de Brasília.

     Parabéns Governador Agnelo Queiroz. A posteridade já vai lhe reservar um lugar só por este ato de inteligência e compromisso com a cultura.
Adeus à inimiga dos povos
     Margareth Tacher, o ícone da direita dos anos 80 morreu, levando consigo suas frases de efeito e seu desprezo pelos povos que ajudou a dominar e explorar.
     Mentora da recuperação pelos ingleses das Ilhas Malvinas, pertencentes à Argentina, Tatcher ficou conhecida pela sua luta contra os sindicatos de trabalhadores, pela sua idéia de que era preciso privatizar as empresas estatais em nome do neoliberalismo, e pelas suas cobranças das dívidas do terceiro mundo, principalmente da América Latina e do Brasil. Sobre nós ela disse que se não podíamos pagar as dívidas, que então vendessemos a Amazônia e tudo o que o país tinha, mas que precisávamos pagar.
     30 anos depois nós pagamos tudo que devíamos sem vender a Amazônia, embora seus discípulos do PSDB tenham privatizado as melhores empresas estatais em troca de "moedas podres", deixando uma dívida muitas vezes maior do que encontraram.
     Hoje seu neoliberalismo é considerado um fracasso total e está levando a Inglaterra e a Europa à bancarrota. Sua morte significa o fim de uma era, que alguns ainda teimam em não reconhecer.
     
     Coragem e beleza
     A luta contra as imbecilidades do pastor Marcos feliciano contra os negros e os gays, está levando muita gente a sair do armário. A última a revelar que tem um relacionamento gay foi a cantora Daniela Mercury, que demonstrou muita coragem e delicadeza em suas declarações de amor à sua nova parceira, Malu Verçosa.
     Numa entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, declarou estar muito feliz e realizada.
     Viva Daniela e Malu!


HUMOR TRANSATLÂNTICO


Saúde pública




Todos pela educação?

TRIBUNA ABERTA

          Esta semana, recebemos o e-mail do leitor André Nunes, torcedor do Vitória, com link da nova versão da música campeã do carnaval de Salvador em 2013, Ziriguidum. Agradecemos sua participação André.
          Participe você também do Blog O PAIZ, mande sua sugestão.


 Clique a acesse o vídeo:

segunda-feira, 1 de abril de 2013

POLITICANDO

Uma política de desenvolvimento para a Bahia

     Pelo facebook, vi a postagem do deputado Valdenor Cordeiro de que uma fábrica de aerogeradores será instalada na Bahia, em Camaçari. Nos comentários perguntei a ele porque todas as fábricas na Bahia são direcionadas sempre para a região metropolitana de Salvador, concentrando mais e mais a produção industrial em torno à capital, que já sofre com o crescimento desordenado, o caos no trânsito e todas as mazelas das grandes metrópoles.
     Claro que ele não respondeu nada. Sabemos que não são os deputados que postam as notícias nas redes sociais, mas seus assessores, que não tem tempo ou não se preocupam em responder aos comentários. É uma via de mão única.
     Nós, aqui na região sudoeste padecemos de uma falta crônica de empregos. Temos uma boa infraestrutura de estradas, cidades razoavelmente desenvolvidas, mas as indústrias não vem pra cá.   
     Tudo cresce em volta de Salvador, como um câncer, que vai destruindo os recursos naturais daquela região, atraindo cada vez mais gente, agravando cada vez mais os problemas da grande cidade e do seu entorno, enquanto o interior permanece abandonado.
     Esta é uma política secular (sobre isto veja o livro A Bahia no Século XIX: uma província no império, de Kátia Mattoso) que vem desde o tempo da colônia, quando Salvador era um entreposto de exportação, uma cidade essencialmente mercantil, que gerou uma poderosa burguesia de comerciantes que domina a política do Estado, impedindo que a riqueza circule por outras regiões da Bahia.
     Mesmo hoje, Salvador não é uma cidade industrial, mas uma poderosa praça comercial, e suas elites, que dominam até hoje a política baiana, fazem questão que a riqueza circule apenas por lá, nas suas agências bancárias, através do seu porto, para que eles continuem lucrando em detrimento do restante do território que permanece abandonado. Para isso querem que as indústrias sejam alocadas sempre nos muncípios vizinhos.
     A excessão a esta regra foi a construção do porto de Ilhéus, na década de 1930, fruto de uma longa luta dos cacauicultores da região sul, que tiveram que enfrentar o lobby poderoso dos mercadores de Salvador, que queriam que toda a exportação se fizesse pelo porto de lá.
     Depois, na década de 1990, o governo de Paulo Souto iniciou uma política de descentralização industrial, instalando pólos calçadistas no interior, política logo revertida pelos governos que os seguiram, inclusive o de Jaques Wagner.
     Até quando? O oeste do estado se tornou uma potência agrícola, mas não recebe os investimentos que deveria para se desenvolver. Quando se fala em escoamento da safra de soja, logo aparecem os projetos de hidrovias e ferrovias para escoá-la para o porto de Salvador. Sempre Salvador. A FIOL, Ferrovia de Integração Oeste Leste, é uma obra estratégica do governo federal que integra o oeste produtivo ao porto de Ilhéus, mas é um projeto gestado em Brasília. Se dependesse do governo da Bahia fariam a ferrovia para Salvador.
     Os projetos de emancipação do Estado de São Francisco, no oeste, e do Estado de Santa Cruz, no sudoeste, que volta e meia emergem no imaginário dessas regiões, são resultados deste descaso, resultado da ausência de uma política de desenvolvimento que abranja todo o território.
     A própria política de desenvolvimento urbano da capital, parece estar 50 anos atrasada em relação às outras capitais brasileiras. Enquanto Rio e São Paulo iniciam a demolição dos seus elevados, gigantescos viadutos que permitem a agilização do tráfego de automóveis, Salvador se orgulha de estar construindo sua Via Expressa, ligando por cima o porto de Salvador à BR-324, enquanto cidades como Fortaleza, Recife e Vitória já tiraram os portos do centro da cidade há muito tempo, construindo portos em áreas litorâneas próximas.
     Está tudo errado no planejamento urbano de Salvador e na ausência de planejamento territorial da Bahia. O que existe são projetos pontuais, desconectados entre si, que não fazem parte de uma política de desenvolvimento para todo o território.
      A UFBA, principalmente através de suas faculdades de Arquitetura e Urbanismo, Geografia e Economia, que poderiam dar uma boa contribuição a um debate nesta direção, parece presa a velhos parâmetros, construídos sobre ilusões chauvinistas de que Salvador é linda e admirada pelo mundo inteiro. Não querem ver que a cidade virou uma grande favela e está se tornando inviável, pela cegueira e egoísmo de suas elites retrógradas que teimam em tratar o interior como sua área de lazer.
     Quem sabe nos debates para as eleições de 2014, estas questões venham à tona e a Bahia finalmente entre no século XXI.
    

PAPO DE ARQUIBANCADA

O CARA CERTO NO LUGAR CERTO


       Meus amigos, lendo a coluna de Tostão, na Folha de S. Paulo, o ex-craque da seleção brasileira fez duas afirmações, as quais decidi comentar e deixar a conclusão para o leitor.
      _"Messi, pela média muito maior de gols e pela regularidade, está, tecnicamente, acima de Maradona." 
       _"Imagine se Messi jogasse em uma grande equipe da Argentina. Seria excepcional, mas não seria Messi. Seria um Neymar."
       Analisando o que foi dito por Tostão, em sua primeira frase, não tenho a menor dúvida que Messi é o maior jogador de todos os tempos, depois de Pelé. É só verificar os núimeros: são recordes sucessivos, um fenômeno futebolístico, e não podemos nos esquecer que este prodígio de Santa Fé tem apenas 25 anos. Maradona foi um jogador espetacular e tem a seu favor a conquista de uma copa do mundo, mas Messi tem a possibilidade de disputar mais umas três copas. 
     Decerto que o melhor jogador do mundo precisa ser campeão do maior torneio de seleções do planeta para ver seu nome no Pantheon do Futebol. Capacidade pra isso ele tem e também uma torcida imensa para que aconteça, não só pela magia que ele demonstra em campo, mas pelo seu profissionalismo, simplicidade e respeito aos adversários.  
       Quanto a ser apenas um Neymar - mesmo reconhecendo sua excepcionalidade - se jogasse em um grande clube argentino, é preciso lembrar que até mesmo o rei do futebol precisou de um bom time para conseguir chegar onde chegou. O Santos tinha jogadores incríveis, era a base da seleção brasileira, como o Barcelona. Não é possível um jogador ser eleito o melhor do mundo sem companheiros capazes de ajudá-lo, afinal futebol é um esporte coletivo. Messi está numa super equipe sim, contudo, analise você leitor, os números do time catalão sem ele !!

TÁ CHEGANDO A HORA !

         A Arena Fonte Nova está pronta, linda e moderna, com certeza, dia 07 de abril a torcida baiana vai fazer um espetáculo digno da nova casa. Com o estádio de Pituaçu a Bahia, finalmente, terá praças esportivas à altura da sua importância.

 UM GIRO POR AI...

Arena do Jacaré

             Em viagem recente ao Rio de Janeiro, passando por Minas Gerais, paramos na cidade de Sete Lagoas onde visitamos a Arena do Jacaré. Um estádio novo, moderno, com vias de acesso largas, bem razoáveis. É uma vergonha, cidades como Feira de Santana e Vitória da Conquista não terem um estádio digno da importância delas: o Jóia da Princesa e o Lomanto Júnior (Lomantão) não tem estrutura para sediar jogos importantes. Vale lembrar que os estádios da capital mineira, Mineirão e Independência estavam em reforma e os jogos de Atlético e Cruzeiro, pelo campeonato mineiro e brasileiro da série A, foram realizados na Arena do Jacaré.

 Mineirão

         O Mineirão está uma beleza, uma área externa imensa pra acomodar seus torcedores antes das partidas, vias de acesso novíssimas, com ruas exclusivas para ônibus e táxis nos levaram rapidamente do centro ao novo templo do futebol mineiro, na Pampulha. O Cruzeiro mandará os seus jogos na nova arena e será um inquilino privilegiado. O Atlético sediará seus jogos no Independência que se tornou o caldeirão alvi-negro. Minas está muito bem servida !

COMEÇAMOS MAL !

      Esta semana foi marcada, negativamente, pelos incidentes na compra dos ingressos para o BA x VI que vai inaugurar a Arena Fonte Nova. Filas enormes de formaram no dia anterior às vendas e o contingente policial - como sempre, agressivo - não foi o suficiente para evitar o tumulto.    
     Funcionários da obra foram filmados vendendo ingressos, uma verdadeira baderna! Até quando vamos ver cenas como essas no futebol baiano ?!

 Filho de Herzog compara Marin a líderes nazistas: "escória da política"

       Autor de uma petição pública que pede a saída de José Maria Marin da CBF, Ivo Herzog confirmou que irá até a entidade na próxima semana, no Rio de Janeiro, para entregar o documento. Na internet,  a petição atingiu a meta de 50 mil assinaturas contra Marin, a quem Ivo atribui participação na prisão, tortura e assassinato de seu pai, o jornalista Vladimir Herzog, na década de 70. Ivo Herzog visitou o site Terra nesta quinta-feira. Ele comparou o dirigente a líderes do nazismo.

           Marin tem evitado se manifestar publicamente sobre o passado e ligações com a ditadura. 
         "Vamos entregar uma cópia da petição, entregar os discursos do Marin e carta explicando tudo", definiu Ivo. Há, no Diário Oficial da época, discurso de José Maria Marin, então deputado, em apoio a Sergio Fleury, indicado como torturador. "Vamos mandar esse material às 27 federações e aos 20 clubes da Série A. E aí ninguém pode justificar ignorância dos fatos. Ou estarão coniventes ou vão assumir posição contrária. O silêncio é a conivência", definiu Ivo sobre os 47 presidentes que terão direito a voto nas eleições da CBF em 2014.
       O filho do jornalista, que à época era diretor da TV Cultura, lembrou da repercussão internacional das denúncias em torno do atual presidente da CBF. "Sei que o mundo está incomodado com Marin. Saíram reportagens na Inglaterra, na Alemanha, na Venezuela. Em vários países. A gente sabe que a Fifa está incomodada com a repercussão dos fatos. A presidente Dilma, em um ano, não recebeu o Marin. Não é algo que o filho do Vladimir que está chateado com a morte do pai, comparou. 
           Ivo, na sequência, também pediu a indignação popular contra Marin, independente de questões estatutárias da CBF. "Ele faz parte da escória da política brasileira. Não pode estar à frente de algo que representa o nosso país. Ele está ligado não só porque estava lá, porque apoiou, elogiou e pediu reconhecimento. Ele chama o Fleury de herói. Ele o chefe da polícia secreta na época. Chefe da polícia que sequestrava e torturava pessoas. Homens, mulheres e crianças. Esse é o herói de José Maria Marin".
         E emendou: "sinto nojo, asco, indignado. É essa pessoa que vai receber o mundo? É uma pessoa ligada a um dos piores capítulos da nossa história. Imaginar Marin na frente da CBF e do COL é imaginar que a Alemanha em 2006 tivesse um ex-integrante nazista para a Copa do Mundo".

Fonte: Site Terra

POESIA DA SEMANA



SE ME PERGUNTARES

Se me perguntares
Quem sou eu
Cavada de bexiga de maldade
Com um sorriso sinistro
Nada te direi
Nada te direi
Mostrar-te-ei as cicatrizes de séculos
Que sulcam as minhas costas negras
Olhar-te-ei com olhos de ódio
Vermelhos de sangue vertido durante séculos
Mostrar-te-ei minha palhota de capim
A cair sem reparação
Levar-te-ei às plantações
Onde sol a sol
Me encontro dobrado sobre o solo
Enquanto trabalho árduo
Mastiga meu tempo
Levar-te-ei aos campos cheios de gente
Onde gente respira miséria em toda a hora
Nada te direi
Mostrar-te-ei somente isto
E depois
Mostrar-te-ei os corpos do meu Povo
Tombados por metralhadoras traiçoeiras,
Palhotas queimadas por gente tua
Nada te direi
E saberá porque luto.

Armando Guebuza
Moçambique, 1977