segunda-feira, 15 de abril de 2013

HUMOR TRANSATLÂNTICO


Diagnóstico



TRIBUNA ABERTA

         
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segunda-feira, 8 de abril de 2013

POLITICANDO

Países divididos
     A quem interessa que países como Coréia, Irlanda e China permaneçam divididos, a não ser às velhas potências coloniais, Inglaterra, França e Estados Unidos? Afinal, o lema deles sempre foi dividir para governar!
     Imaginem a potência que seria uma Coréia unificada? Se divididos, o norte consegue ter armas atômicas, lançar foguetes com capacidade para transportar ogivas e satélites e o sul consegue exportar produtos industrializados e tecnologia para o mundo, juntos eles seriam maiores que o Japão e rivalizariam com a China.
A Coréia dividida
     A Alemanha também ficou dividida por décadas.Tinham medo de sua liderança quando ela se unficasse. Hoje ela é a maior economia da Europa. O Vietnam também e hoje é uma economia dinâmica.
    A China dividida
O mesmo ocorre com a China, que apesar de já ser uma potência, tem que aturar Taiwan, uma província "rebelada" que se intitula um país, com apoio de uma frota americana.

A Irlanda dividida    
 Quanto à Irlanda, a existência da Irlanda do Norte como colônia inglesa é uma anacronismo que remonta aos tempos do decaído império britânico. O mesmo pode-se dizer das Ilhas Malvinas e das outras ilhas que eles tem no atlântico sul, inclusive Ascenção, que eles roubaram do Brasil quando já éramos um vice-reinado de Portugal.
A Argentina dividida
     Tudo para manter o controle do Atlântico, com suas bases militares.
     A mesma coisa acontece na Palestina.
A Palestina dividida
     Até quando esse mapa vai durar?


PAPO DE ARQUIBANCADA

 BRINCADEIRA!


      Meus amigos, foi uma grande piada a convocação do técnico Luiz Felipe Scolari para o amistoso contra a Bolívia, agendado para livrar o time do Corinthians da punição, nos jogos em casa, sem sua torcida, e "ajudar" a família do Kevin Espada, assassinado pelos corinthianos.
      É louvável que o comandante da seleção canarinho dê oportunidade de forma indiscriminada, mas, chamar o quarto goleiro do time de Parque São Jorge foi uma tremenda piada. É um desrespeito aos jogadores em atividade no Brasil, posso citar uns dez goleiros dignos da oportunidade. O lateral esquerdo do Náutico, Douglas Santos, assistiu ao péssimo André Santos, do Grêmio, confirmando que jogador atuando no nordeste não pode alimentar o sonho de vestir a verde e amarela como titular.    
     Tantos artilheiros pelos estaduais e o nosso técnico convoca Leandro do Palmeiras ?! Resta mais um amistoso, contra o Chile, antes da Copa das Confederações. Seleção é coisa séria !!
      Quanto ao jogo, faço minhas as palavras do jornalista esportivo, Juca Kfouri:
      _ "Neymar errou mais do que acertou, mas fez dois dos quatro gols brasileiros contra os bolivianos só com 11, sem a altitude para socorrê-los. Sem altitude mas num gramado horroroso, com a cara da CBF, que expõem jogadores tão valiosos."
      Ronaldinho se divertiu, com cautela.
      Jean foi bem, mas, contra quem?
      Leandro Damião deixou sua marca, no gol e nas canelas bolivianas e o palmeirense Leandro estreou como sonhou, marcando o quarto gol.
     Os 3 x 0 do primeiro tempo acomodaram a Seleção Brasileira que só voltou a marcar um golzinho no fim, como se estivesse com pena dos bolivianos.
     Além disso, e do atraso da pelada porque o ônibus da CBF atolou no caminho do estádio, Osvaldo quis jogo e Pato pouco apareceu, até porque Ronaldinho deu bola para o primeiro e para o segundo não deu — terá havido algo entre eles no Milan?.
    Não, Marin não foi o motorista do ônibus, mas não tinha nada que ter levado a Seleção Brasileira até Santa Cruz de La Sierra, numa demagogia perigosa e que abre um precedente.
    Ora, se nem a adequada punição esportiva ao Corinthians pela morte em Oruro  foi bem aceita por aqui, por que a CBF assumiu a responsabilidade de indenizar a família do menino morto, se não teve a nada a ver com a tragédia?
          Uma que a família Espada não precisa, duas que só em certas cabeças o dinheiro compra tudo.

A NOVA ARENA É RUBRO-NEGRA


     Tudo velho na nova Arena Fonte Nova (Itaipava). O Vitória manteve a freguesia diante do seu maior rival, aplicando-lhe uma sonora goleada de 5 x 1.
     Foi uma festa belíssima, com apresentação de cantores baianos e algumas alegorias, uma festa tipicamente baiana. Quando a bola rolou, nos primeiros dez minutos, tive a impressão que a tarde seria dos mandantes. Ledo engano. Passado o nervosismo inicial, o time do Vitória deixou de fazer ligação direta, defesa-ataque e passou a tocar a bola e explorar a rapidez do seu ataque.
     Um primeiro tempo igual - embora o rubro-negro tivesse mais posse de bola - marcado pela oportunidade desperdiçada pelo atacante do Bahia, Adriano Michael Jackson, aos quatro minutos e pelo penalte não marcado pelo árbitro, quando o lateral Neto, do Bahia, intencionalmente, colocou a mão na bola. Fazendo justiça à maior categoria dos seus jogadores, o time da toca abriu o placar através de um penalte cometido pelo desavisado lateral direito do tricolor, cobrado com muita categoria pelo camisa 10 do Vitória, Renato Cajá.
      No segundo tempo, o afoito Baêa errava passes em sua intermediária, deixando o leão cada vez mais próximo do segundo gol, começava aí o chocolate rubro-negro. Foi um gol atrás do outro. Max Biancucchi fez o segundo, um golaço, Michel, Vander e Escudero completaram o sapeca-iaiá.
     O jogo terminou com os gritos de olé da torcida do Vitória. Com mais da metade da torcida do Bahia já fora da Arena, os rubro-negros cantavam: "A-ha, u-hu, a Fonte Nova é nossa.
          O massacre custou o emprego do técnico Jorginho. A direção tricolor está quase acertada com o mister prancheta, Joel Santana.
     Bom, "segure a cabeça de mamãe", torcedor tricolor, sofrimento à vista. E quanto ao time da toca do leão, parabéns, pés nos chão e olho aberto. Na série A o nível é outro: é preciso contratar !

POESIA DA SEMANA

    

Ternura

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,
muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.

Vinícius de Moraes

DESTAQUE

Chico Rei


     Continuando as resenhas de livros compradas no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, falo hoje sobre o livro de Agripa Vasconcelos, que li esta semana.
     Trata-se de um romance histórico, portanto não é historiografia oficial, pesquisa científica, mas um romance que mistura ficção com fatos históricos.
     O livro, editado pela Itatiaia, foi publicado em 1966 e padece de algumas deficiências já apontadas no livro desta mesma editora, sobre a Incofidência Mineira, que comentei na semana passada, especialmente em relação a postura  sobre os negros, tema deste livro.
     Embora favorável aos africanos que vieram escravizados para o Brasil, o enfoque adotado é o de exacerbar seus sofrimentos e a crueldade com que foram tratados, mas reforçando alguns preconceitos, repetidos na obra, como por exemplo, o mito de que os índios não serviram para a escravidão porque eram preguiçosos, ou a maldição que Noé teria lançado sobre um de seus filhos, que teria se estendido a todos os africanos, ou a suposição de que os negros seriam mais adequados  aos serviços pesados porque não conheciam nenhum ofício que não fosse a guerra, a caça e a pesca, afirmação amplamente desmentida pela historiografia que registra um alto desenvolvimento da indústria metalúrgica de cobre, ouro e prata na África, muito antes da chegada de europeus. Também atribui e existência dos santos negros à evangelização européia, desconhecendo que a Etiópia já era um reino cristão muito antes de grande parte da Europa e trata a escravidão como se fosse um fenômeno que se abateu exclusivamente sobre a África, desconhecendo que ela já era praticada desde a antiguidade e mesmo nos séculos anteriores às grandes navegações, era comum entre os europeus e os árabes.
     A primeira parte do livro, na qual o autor pretende contar a história de um Rei do Congo que teria vindo escravizado para trabalhar nas lavras de Minas Gerais, tem muitas incorreções. Para quem se interessar pela verdadeira história do Congo, aconselho o livro A Manilha e o Libambo, de Alberto da Costa e Silva, que dá conta da história da África entre os séculos XV e XVII, no tempo em que os europeus começaram a andar por lá, livro que já resenhei no meu blog anterior (Segunda-feira).
     Oficialmente, Chico Rei é um personagem lendário de Minas Gerais, mas no livro ele é tratado como se fosse fato histórico. Teria sido um rei do Congo que foi escravizado e trazido para Minas onde conseguiu se alforriar, comprar uma mina de ouro e com seus ganhos teria alforriado mais de 400 escravos, inaugurando uma espécie de previdência social, que descontava dos salários pagos aos trabalhadores de sua mina, um percentual destinado a uma caixa para alforriar mais escravos.
     Teria sido ele, com o ouro extraído de sua mina, que mandou construir a igreja de Santa Efigênia, em Ouro Preto, além de inventar a Congada, que seria uma forma dos africanos residentes na colônia homenagearem seu rei exilado, sem ofender os representantes da corte portuguesa, que teriam permitido que ele fosse coroado Rei dos Pretos, na povíncia mineira.

Igreja de Santa Efigênia, em Ouro Preto
     O melhor do livro de Agripa Vasconcelos é a descrição da sociedade da antiga Vila Rica, que ao contrário do que se costuma fazer nos roteiros turísticos, mostra uma sociedade dominada pela corrupção, pela violência extremada (contra os escravos principalmente, mas também contra os colonos brancos sob o governo incompetente e corrupto da corte de D. Maria I) e pelas intrigas. Uma sociedade que vivia exclusivamente do ouro e para o ouro, composta pelos mais diversos tipos de fascínoras que, enriquecendo, compravam títulos de nobreza e fundavam famílias tradicionais, se arrogando direitos de nascença.

          Em todo o continente das Minas, tendo por centro a Serra do Ouro Preto, milhares de  
     escravos feriam a terra em busca ansiosa do metal. Os que armaram ranchos para lá levaram
     as famílias, e nos arredores surgiram choças de palha e folhas,  repletas de gente entregue à
     aventura aurífera. Em todas as catas, escravos trabalhavam sob o relho, com pensamentos de
     perpétua revolta, para sangue ou para a meta dos quilombos. Paulistas, taubateanos, geralistas,
     gringos sem pátria, enxameavam cavando chão na febre de enriquecer. Os forasteiros se
     gabavam da propriedade das minas e os montanheses os viam como intrusos, gente de
     arribação. Odiavam-se, e os negros das lavras tinham justa raiva dos dois. Não havia colonos, e
     os cativos nacionais estavam sujeitos à usura e às derramas da Coroa.
          A moral também era péssima ou não existia nos arraiais nascidos das lavras. A
     licenciosidade atingia as famílias, que ali estavam como gente nobre mas, se se apurasse muito,
     tinham o passado de lheguelhés. Ali estavam os brancos de linhagem histórica nas Minas...
     bandoleiros, esfoladores de bugres e negros, ladrões de estrada. (p. 179).

      Uma das melhores passagens do livro, sem dúvida é o assassinato de uma linda escrava de apenas 16 anos, pela sua patroa, durante um almoço onde estava sendo servida uma leitoa assada. A dona da casa, enciumada por achar que a escrava havia deixado cair uma flor dos seus cabelos, propositalmente, sobre os ombros do seu marido, lhe ataca com o garfo de trinchar a leitoa, matando-a na frente de todos, sem sofrer nenhum castigo ou condenação.
      O ato de crueldade feroz, faz com que o próprio Agripa Vasconcelos expresse no livro não entender como uma população de negros dez vezes maior que a de brancos, se deixou escravizar e maltratar daquela forma, sem maiores motins, a não ser alguns localizados e através da fugas para os quilombos.

 Embora a existência de Chico Rei não seja comprovada pela historiografia mineira, ela está muito presente na tradição oral, o que nos faz pensar que alguma coisa de verdade de haver em torno dela. Até sua mina pode ser visitada em Ouro Preto.
Sem dúvida, se Chico Rei existiu, ele contribuiu para esta passividade. Mas talvez a história não esteja sendo contada por inteiro e outros episódios desconhecidos tenham sido apagados pelos historiadores brancos.
     Está faltando uma pesquisa que lance um olhar mais contemporâneo sobre essa época, que nos liberte desses livros com visões tão antigas, das décadas de 1930 ou 1960.
     Talvez até essas pesquisas existam e eu não tenha tido a oportunidade de conhecê-las, mas, de qualquer forma, não estavam disponíveis no Museu da Incofidência para serem adquiridas.
     O principal significado da figura de Chico Rei no imaginário popular, parece ter sido o de resgatar a dignidade dos africanos, tão humilhados e maltratados na escravidão, mas sem dúvida cumpriu também o papel de apaziguador, fazendo com que os negros "se comportassem bem", aturando toda a violência que era exercida contra eles, em nome de uma pretensa necessidade de demonstrar que eram humanos e sabiam ser caridosos e disciplinados.
     Há um filme, de 1985, sobre o tema, dirigido por Walter Lima Jr.


   
     Também o livro "O Romanceiro da Inconfidência", de Cecília Meireles, trata do assunto, segundo as resenhas que li (não conheço o livro). Sem dúvida é uma história muito interessante, que vale a pena ser conhecida por todos os brasileiros.

CLIPE DA SEMANA

O clipe da semana é da música BAMBAYUQUE, composta por Zeca Baleiro, na interpretação impecável de Renato Braz.


Renato Braz


 Clique no link e ouça a música:

http://youtu.be/oQaFms-0Fjg